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Venda de orgânicos cresce na pandemia com produtores apostando em novas formas de negociação

A crise econômica provocada pelo novo coronavírus vem causando problemas para muitos agricultores e pecuaristas, mas também tem quem consiga vender mais durante a pandemia. Um exemplo são os produtores de hortaliças orgânicas do interior de São Paulo.

Em meio a crise provocada pela pandemia, o setor, tímido dentro do agronegócio, ostenta crescimento nas vendas. A produção orgânica é aquela que não usa agrotóxicos e é vista pelo consumidor como uma opção mais saudável.

Além disso, a facilidade da compra pela internet trouxe mais pessoas a consumir este alimento. Na cidade de São Paulo, a maior e mais tradicional feira de orgânicos do país, com mais de 30 anos de atividade, teve de mudar sua rotina.

A primeira foi a mudança do local, que foi fechado pela Prefeitura por causa da Covid-19. A outra foi na forma de atendimento ao público.

“Todos os feirantes estão usando máscaras, usam luvas… aquele feirante que mexe com dinheiro, recebe dinheiro, faz troco, não manipula alimentos, não entrega alimentos”, explica Fernando Ataliba, presidente de uma associação de agricultura orgânica.

A organização da feira também diminuiu os dias de funcionamento: antes, era aos sábados, domingos e terças; agora, só no fim de semana.

A quantidade de produtores também caiu pela metade. Isso porque muitos vêm do interior e, para alguns deles, a viagem não compensa no cenário de pandemia.

Plataforma ajuda nas compras

Para quem está interessado em adquirir alimentos diretamente dos produtores rurais, uma plataforma criada pela Federação da Agricultura e Pecuária de São Paulo (Faesp) ajuda a conectar as duas pontas: o “Pertinho de casa”.

Para acessá-la, clique neste link.

Tática para não perder as vendas

No começo da crise, muitos restaurantes deixaram de comprar alimentos por causa das medidas de restrição no combate ao coronavírus. E, para não perderem as vendas, os produtores se reuniram e criaram um sistema delivery para o consumidor final.

O sistema é simples: o cliente liga, escolhe os produtos, uma cesta é montada pelo agricultor e entregue na casa dessa pessoa.

“(A conta) Não chega a fechar 100%, mas tem ajudado muito, principalmente para escoar as coisas, porque a produção continua igual, para garantir que continue tendo os produtos”, explica a produtora Ariante Santos.

A comerciante Débora Rofato revende orgânicos há 3 anos e meio. No começo, era tudo pela internet, depois montou uma loja em Piracicaba, onde comercializa frutas, verduras, legumes, carnes e produtos processados.

“A gente viu que teve um aumento muito grande do delivery, das pessoas querendo receber em casa”, conta Débora.

Ela, então, diminuiu o horário de funcionamento da loja física e aumentou em 50% o número de vendas online. Semanalmente são entregues pelo menos 45 cestas.

“O coronavírus está ajudando as pessoas a se preocuparem mais com a saúde, buscarem mais informações dos benefícios orgânicos. Para gente, é importante e para o produtor também, já que está com uma demanda bem maior.”

Investimento na crise

Em Atibaia, a família Martins também comemora aumento nas vendas. Eles são veteranos na produção de orgânicos, já são 8 anos de atividade.

Por semana, a família entrega na cidade e na capital paulista mais de 80 cestas. Elas custam entre R$ 70 R$ 90 e, desde que a pandemia começou, houve um aumento de 40% nas vendas.

A venda de orgânicos vai tão bem que eles decidiram, mesmo na crise, fazer um investimento de R$ 30 mil para construir uma estufa, onde serão cultivados produtos que são mais sensíveis ao clima e também às pragas como, por exemplo, o tomate.

Para comercializar as cestas orgânicas, principalmente durante a pandemia, o sítio conta com site, redes sociais e WhatsApp. Quem coordena o delivery são os irmãos mais velhos: a Juliana e o Júlio.

“Foi a tecnologia que possibilitou isso. É de suma importância para gente aliar a produção orgânica à tecnologia que, ao nosso ver, é o que pode levar a produção orgânica para uma escala maior”, afirma Júlio Martins, que é formado em ciência da computação.

Mercado em crescimento

Dados da Associação de Promoção da Produção Orgânica e Sustentável (Organis) mostram que, atualmente, os orgânicos não representam nem 1% dos alimentos produzidos no país.

O Brasil tem hoje 22 mil produtores de orgânico, que movimentam anualmente cerca de R$ 4,5 bilhões, com de crescimento médio de 15% a 20% ao ano.

Mudanças de vida

Apesar de números ainda tímidos, essa produção atrai cada vez mais adeptos, seja para o consumo ou para produção. E quando se fala em novos agricultores apostando nesse segmento, existem histórias de mudanças radicais, não só de cultivo, mas também de vida.

Há 3 anos, os biólogos Victor Dimitrov e Marina Bonfim deixaram os empregos na capital paulista para viver do cultivo de orgânicos.

O casal alugou 2 hectares em Piracaia e cultivam, principalmente, hortaliças. A conta da atividade ainda não fecha, mas as vendas também aumentaram com a chegada da pandemia.

Além disso, criaram uma banca na porta do sítio para comercializar os alimentos, onde não há caixa e nem pessoas para cobrar, é tudo na base da confiança.

O cliente chega, escolhe um produto, anota o que vai levar em um caderno e deposita o dinheiro em uma caixinha. Se precisar de troco, basta abrir e pegar o dinheiro.

Em São Bento do Sapucaí, no alto da Serra da Mantiqueira, um outro casal resolveu mudar de vida: Juliana Pacheco Limonter e Valdir Ramos Filho.

O casal também apostou tudo na produção orgânica. Deixaram os empregos em multinacionais para viver o clima agradável da serra com os filhos Mariá e Heitor.

“Muitas pessoas acharam que abandonar uma carreira consolidada, formações específicas para a área corporativa, seria uma loucura”, explica Ramos Filho.

Há 3 anos, a família comprou 2 hectares brutos e começaram a trabalhar. Atualmente, eles atuam em duas frentes: a produção de orgânicos e aluguel de espaços para turistas.

Com a pandemia, a região está fechada para o turismo, mas, em compensação, a venda de produtos orgânicos cresceram mais de 30%.

“O consumo é crescente, essa pandemia traz uma percepção de saúde diferenciada, e o orgânico tende a melhoria da saúde das pessoas. Essa percepção de melhoria de produto saudável está sendo muito valorizada agora e ainda mais nesse momento que a gente está agora”, afirma Valdir.

Por G1

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