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Man Ray está no centro de São Paulo em exposição inédita

Por Leila Kiyomura

Um fotógrafo-artista que saiu na defesa da liberdade do ser, da natureza e da arte. É essa a sensação que a exposição Man Ray desperta. O americano que viveu entre Paris e Estados Unidos está em São Paulo em 255 obras apresentadas pela primeira vez ao público brasileiro. O Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) traz um recorte significativo da diversidade da obra de Emmanuel Radnitsky, ou Man Ray, como ficou conhecido em todo o mundo.

Man Ray nasceu na Filadélfia, Estados Unidos, no dia 27 de agosto de 1890, e viveu entre Nova York e Paris.  Transformou a técnica da fotografia em arte e poesia. Também se dedicou à pintura, escultura, cinema e, entre tantos artistas e intelectuais, descobriu o amigo de toda a vida: o pintor francês Marcel Duchamp. Juntos, fundaram, em 1915, o movimento dadaísta em Nova York e depois se integraram ao surrealismo em Paris, cidade que o acolheu por mais de três décadas e onde morreu em 18 de novembro em 1976.

Autoportrait, 1930, impressão em gelatina e prata – Divulgação
Long Hair, 1929, impressão em gelatina e prata – Divulgação
Les Larmes , 1932, impressão em gelatina e prata – Divulgação
Man Ray retocando uma impressão fotográfica de moda – Foto: Roger Schall

É o movimento do pensamento em forma de arte que a exposição Man Ray em Paris busca. E consegue revelar. A curadora Emmanuelle de L’Ecotais, pesquisadora responsável por seu Catálogo Raisonée, reproduz imagens da vida em Paris e vai apresentando a sua criatividade na dinâmica de sua inquietude pintando, filmando, fazendo objetos e na paixão que vive com sua musa, Kiki de Montparnasse. “Man Ray é um ser privilegiado, capaz de livrar-se de todas as restrições sociais, cujo objetivo deveria ser alcançar a liberdade e o prazer”, afirma a curadora Emmanuelle.

À sua vontade de revelar outra realidade, reúnem-se na mostra toda a complexidade e a riqueza que ele nos legou.”

O visitante vai se surpreender ao observar as fotos que não revelam a paisagem da cidade, da natureza. O tempo e o lugar para Man Ray estão no fragmento do instante e do espaço. A foto Magnólia, tirada em 1926 e impressa em gelatina e prata nos anos 1960, com as pétalas se abrindo, é um exemplo desse olhar. A flor deixa de ser flor. Vai além. É o próprio universo.

Magnólia, 1926, impressão em gelatina e prata dos anos 1960 – Divulgação
Estudantes visitam a exposição de Man Ray, numa iniciativa de aliar arte e educação – Foto: Divulgação
Obras de Man Ray em cartaz na exposição – Foto: Jaime Acioly

“Através das obras apresentadas, entre as quais se destacam os contatos originais, esta exposição não apenas elucida a lenta maturação da obra do artista, mas também traz um panorama de sua história”, explica Emmanuelle. “Das primeiras obras dadaístas ao retrato e à paisagem, da moda às imagens realistas, de seus trabalhos comerciais a uma seleção de seus objetos e filmes, e à sua vontade de revelar outra realidade, reúnem-se na mostra toda a complexidade e a riqueza que ele nos legou.”

Man Ray conseguiu, como poucos, recriar a técnica da fotografia. Desenvolveu a radiografia ou fotograma, criando imagens abstratas sem utilizar a câmera. Ele “fotografa” só com o papel fotográfico. Capta os objetos só com a exposição sob a luz. O resultado surpreende: é uma gravura. Há também as fotos de sua musa nua, que poderiam ser óbvias se não fossem a reflexão e beleza que propiciam.

A exposição de Man Ray no Centro Cultural Banco do Brasil – Foto: Jaime Acioly
Mostra traz 255 obras do expoente do surrealismo – Foto: Jaime Acioly

O visitante vai entre os quatro andares da mostra. Interessante ver o movimento dos estudantes das escolas, que também ficam surpresos. “Só tenho uma crítica. Aqui é proibido fotografar e fazer selfie”, protesta Claudia de Abreu, 14 anos, estudante do Colégio Castro Alves, no Parque São Lucas. “Mas aprendi muito. Como o Man Ray pode inventar tanto e fazer a gente ver cores nas fotos em preto e branco. Os retratos têm vida.”

O comentário foi aprovado por alunos da Escola Municipal Espiridião Rosas, no Jaguaré, que movimentou o CCBB no último dia 16. “Nossa, eu nunca tinha ouvido falar. Mas quem foi ele? Queria saber mais” , questionou Marcia de Oliveira, 12 anos. A curadora Emmanuelle de L’Ecotais explica: “Após tornar-se rapidamente fotógrafo profissional, sua obra oscila, de maneira contínua, entre o trabalho de encomenda como o retrato e a moda, de um lado, e o desejo de realizar uma obra artística, de outro. Ele se dividiu e viveu o desafio de uma obra com vários focos e, ao mesmo tempo, única. Cultivou o acaso como algo vivaz e apaixonante”.

Exposição elucida a lenta maturação da obra de Man Ray e traz um panorama de sua história, segundo a curadora Emmanuelle de L’Ecotais – Foto: Jaime Acioly

A exposição Man Ray em Paris fica em cartaz até 28 de outubro, das 9 às 21 horas, exceto às terças-feiras, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), localizado à Rua Álvares Penteado, 112, Centro, em São Paulo (próximo à estação São Bento do Metrô). Entrada grátis. Mais informações podem ser obtidas pelos telefones (11) 3113-3651 e 3113-3652.

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